Masculinidade na Dança

Na imagem podemos ver o grande Gene Kelly, dos melhores bailarinos que alguma vez viveram. Era de louvar essencialmente a sua versatilidade entre a dança e o canto.
Propus-me tratar aqui, já que é um espaço de criação de argumentos, uma questão que me tem seguido desde o dia em que comecei com as danças de salão, há já mais de quatro anos portanto.
Esta questão resume-se à seguinte interrogação "será a dança algo tão alusivo a "maricas" como muitos fazem parecer?"
Desde o dia que cheguei à escola a anunciar que havia começado a dançar, e que até estava a evoluir bastante depressa, que alguns indivíduos também do sexo masculino logo decidiram começar a ridicularizar este facto. Vim mais tarde a perceber que isto é genérico. Em todo o lado que se comente que eu sou um "artista" (quase...) das danças de salão clássicas e latino-americanas, há sempre pelo menos uma pessoa, sempre do sexo masculino, que afirma veementemente que a dança é para maricas. O engraçado no meio disto tudo é as pessoas serem tão tapadas que não se dão ao trabalho de pensar no que é a dança mesmo, afinal de contas! Comparemos então a dança ao desporto que de forma generalizada se considera o desporto mais másculo à face da terra: o râguebi masculino:
Ora vejamos, esse desporto é jogado por homens, e homens apenas. Em muitas ocasiões temos a infelicidade de ver lances em que homens se enrolam conjuntamente, sem se largarem por nada deste mundo, pelo chão fora, como num filme romântico onde um casal enamorado cai em câmara lenta, rodopiando em conjunto pela praia, até à beira mar, onde finalmente dão um beijo apaixonado. De seguida temos a simbolização de bom trabalho. Quando alguém faz um bom trabalho, é comum ver-se alguém passar e dar a típica palmada no rabiosque... Quer-se dizer... Creio que esta parte do argumento dispensa demais comentários ou pormenores. Todos percebemos a masculinidade (alusão irónica ao conceito de masculinidade, claro!) deste acto.
Não esqueçamos ainda as ocasiões em que vemos um elemento de uma equipa apertar os órgãos genitais de um outro de outra equipa, numa tentativa (desculpas, desculpas...) de lhe causar agonia, atrasando assim o seu possível processo de recuperação de bola, ou qualquer outro processo que estivesse a visar completar. Também me vou dar ao luxo de vos deixar reflectirem por vocês próprios sobre esta... Ah, por último, e porque não quero maçar ninguém com demasiadas demonstrações do que é tipicamente másculo (bem, hoje estou em grande com o uso da ironia!), temos os balneários... O espírito de irmandade no seu mais Cru (e nú) estado. Que beleza de convívio.
Comparemos agora o másculo e recheado de testosterona (demasiada até) râguebi com a supostamente "amaricada" dança. Na dança, ao invés de os homens se agarrarem desalmadamente a outros homens, correndo loucamente pela relva numa tentativa exasperada de poderem agarrar o mesmo, agarram-se a mulheres! Um homem, e uma mulher. É assim que funciona. De seguida, temos toda a arte da dança. Durante o processo de elaboração de uma coreografia o homem e a mulher trabalham em conjunto durante horas a fio, estabelecendo inúmero contacto físico e tentando salientar aquela química que todos gostam de ver numa boa exibição de dança. Ninguém aprecia um par "amorfo" a realizar um "pézinho de dança". Ainda no meio da dança, poucos rapazes há, uma vez que estão todos preocupados em se tornarem grandes Homens no râguebi. Assim, um rapaz, na dança, tem um leque variadíssimo de possíveis pares de dança, e nas aulas "sociais" (componente que complementa e acompanha os treinos para a competição) dançam com várias destas. Há ainda a componente técnica e a exigência física requerida para a dança, de que o râguebi não necessita. Na dança, a coordenação motora, o equilíbrio e a resistência muscular fina são completamente imprescindíveis. A dança é uma aliança entre o desporto e a arte. Como tal, sendo tão "delicada", é necessário um controlo surpreendente sobre todos os músculos do corpo, bem como uma força de carácter descomunal que só se consegue compreender experimentando. Em competições de dança não se vê nenhum "obeso", sem ofensa alguma por estes.
Já no masculíssimo râguebi, vemos gordos, magros, tortos, direitos, rápidos, lentos, grandes, pequenos; uns com óptimo equilíbrio, outros que caem mal dão dois passos... O único verdadeiro requisito para jogar râguebi é não apreciar os neurónios que nos foram cedidos à nascença (para andar às cabeçadas é requisito quase único esta falta de apreciação) acompanhado de uma vontade insaciável de agarrar outros homens.
Agora sim, posso concluir, sob a forma de pergunta: o que é afinal mais "maricas"? Um desporto onde há a união de um homem com uma mulher, e onde ainda se dão a pormenores técnicos e verdadeiro trabalho para atingirem resultados, ou um desporto onde a única coisa que se consegue ver, para além de um "touchdown" ou outro, é um grupo de homens a tentar agarrar quase que afavelmente um outro grupo também de homens. Se alguém ainda está convencido da segunda hipótese, aconselho uma breve visita a um campeonato de dança, seguida de um jogo de râguebi.
Viver vs Existir

Hoje mais do que nunca há uma enorme tendência para pensarmos no conforto humano, e na qualidade da vida que levamos.
Se analisarmos bem a questão, isto deriva apenas do facto de termos levado o propósito das nossas vidas a um tal extremo ridículo de servidão ao trabalho, que aumentou incrementalmente a quantidade de sintomas de doenças de carácter nervoso, como é o caso do famoso "Stress". Por agora termos tanta gente com diversos problemas deste cariz, então sim, preocupa-nos que se deva ter direito à qualidade de vida. Tende-se a pensar na qualidade de vida como algo que nos deve ser facilitado pelos outros. Os outros devem-nos ceder ferramentas para podermos viver bem, bem como devemos ter todos os direitos que são nossos por defeito. Subsídios de férias, seguro de trabalho, 13º mês. Consideramos tudo isto "facilidades" ou ainda gentilezas que nos são cedidas e que tendemos a confundir com qualidade de vida.
O modelo de sociedade que vingou no nosso Mundo faz-nos encarar pessoas com dinheiro como pessoas com melhor qualidade de vida. Mas será assim? Esta questão tem vindo desde há já algum tempo a incomodar-me, pelo que aproveito a partilhar o que me tenho proposto fazer (quase que como os 15 mandamentos, na minha opinião, de "Viver vs Existir") para tirar o máximo partido possível desta vida que, até prova em contrário, só gozamos uma vez:
I - Amar. Pouco é necessário explicar aqui. Amar a família e os amigos. Aproveitá-los enquanto os temos presentes. Quem tiver parceiro/a, poderá querer experimentar deixar de lado o espírito consumista com que actualmente se encaram a maioria das relações humanas em prol de uma atitude mais romântica. E por romantismo quero dizer: inovação; surpresa, criatividade, diversão... Tudo o que não passe pela mera rotina de comprar uma lembrança apenas porque é aquela data especial. Em vez disto pode-se, por exemplo, fazer um pique-nique, que é tão raro hoje em dia, e no entanto tão mais divertido.
II - Saborear. Quantos de nós não comemos alarvemente (perdoem-me a expressão tão directa e alusiva a um acto tão imundo)? Comer apenas pelo acto de comer, porque sabemos que temos de nos alimentar... O que proponho aqui é começarmos a, quando tivermos de comer, tirarmos também proveito deste momento, saboreando bem a comida, concentrando a nossa atenção nas diferentes texturas e explosão de gostos que até uma simples batata pode ter.
III - Rumo à Natureza. Ficar-se fechado entre quatro paredes é um desperdício da nossa efemeridade! Aconselho vivamente a experiência de sair num dia de chuva, apenas pela diversão de andar à chuva. Uma corrida pelo parque, uma visita às montanhas, um passeio descalço pela relva, no verão. Todas estas experiências de contacto com a Natureza têm fortes implicações motivacionais, bem como efeitos quase milagrosos no nosso estado de espírito (mesmo que não demos conta...)!
IV - Ritual Matinal. Não, não quero de qualquer forma fazer alusão a qualquer tipo de ceita quando falo em rituais. O hábito de acordar cedo e ter uma forma sistémica e original de "cumprimentar o dia" e de dizermos a nós mesmos (numa tentativa de interiorizar a mensagem) que não vamos desperdiçar o dia que está a começar, bem como uma variada consciencialização de compaixão com o próximo, e aproveitamento de cada momento, ao mesmo tempo que fazemos uns breves alongamentos, por exemplo, poderá trazer-nos mudanças significativas no humor e energia de que dispomos. Já agora, porque não dar-nos ao trabalho de apreciarmos o pôr do Sol um dia ou outro, para darmos conta da dimensão do Universo em que nos inserimos?...
V - Arriscar. Já diz o antigo ditado português, e com razão: "quem não arrisca, não petisca!". Temos tendência e ter comportamentos de extrema cautela. Uma vez por outra, arrisquemos. O que temos a perder? Cada dia que vivemos é um dia a menos que temos para tomar aquela decisão arriscada. E eventualmente deixa de ser possível tomá-la de todo. Quanto antes, melhor!
VI - Paixão e Excitação. Muito resumidamente diria que devemos seguir a nossa excitação e procurar a nossa paixão! Um bom motivo em função do qual vivermos é a busca do que nos dá prazer fazer, aquilo que verdadeiramente gostamos. Devemos perseguir os nossos sonhos. Por muito pouco prováveis que possam parecer, apenas temos uma oportunidade para os tentarmos alcançar.
VII - Viajar. Não há nada como viajar. Conhecer novas culturas, abrir novos horizontes, testemunhar pontos de vista completamente diferentes, receber conselhos de gente do outro lado dos Oceanos! Custe o que custar, viajar é uma experiência obrigatória para quem quer deixar de existir e começar a viver.
VIII - Exercício. Aqui não há muito a explicar. Passa pela velha mensagem de "desalapar o cóccix" (perdoem-me a expressão barbárica). Não é preciso explicar a importância de um corpo saudável. Já para não falar na motivação de uma boa aparência quando nos olhamos ao espelho.
IX - Evitar "What if". Ninguém gosta de ter motivos para pensar coisas como "e se eu tivesse arriscado?" "e se eu tivesse ido com os meus amigos andar de bicicleta em vez de ficar fechado no computador a tarde toda?" "e se eu tivesse falado com aquela miúda?". Ninguém gosta de pensar nas possibilidades inerentes à acção que no passado decidiram não tomar. Para tal, decidamos! Não adiemos. Façamos!
X - Abrandar. A tendência actual, como já mencionei, aliás, no início desta publicação, é, cada vez mais, viver de forma acelerada. Já dizia John Derek "Live fast, die young, leave a good looking corpse!". Esta é a filosofia pela qual muitos se regem hoje em dia. Tiremos tempo para apreciar o que temos, o que/quem nos rodeia, ...
XI - Voluntariar. Não há nada como aprender a arte da Compaixão. Ajudar os outros quando não dispõem de mais ninguém traz-nos muitas mais recompensas do que se costuma imaginar. A satisfação de um sorriso que provocamos em alguém é uma moeda poderosíssima!
XII - Falar com "estranhos". As crianças, mais que ninguém, sabem como viver! Brinquemos com elas... Aprendamos a ser alegres como elas.
Não há ninguém mais sábio que os idosos. Falemos com eles, tentemos saber o que têm para partilhar das experiências que viveram. Gozemos da sua sabedoria enquanto perduram.
XIII - Aprender. Sermos virados para constantemente melhorarmos e adquirirmos novas capacidades é do mais satisfatório que podemos provar na vida. Faz-nos sentir úteis e capazes. Dá-nos motivação para futuros projectos. Seja aprender uma nova língua, uma nova receita, um novo instrumento, ou até um novo desporto radical...
XIV - Rir até chorar. O ponto de convergência entre o riso e o choro é tido em conta como o ponto óptimo do riso. Tentemos chegar a este ponto o mais possível. Rebolar no chão a rir também não é nada mau de todo. Rir é das melhores formas de viver. Atitude positiva...
XV - Zen. O estilo de vida Zen é algo que sempre me fascinou. Em poucas palavras, os conselhos Budistas são: viver o presente; em vez de pensar no que temos para fazer daqui a n tempo, foquemo-nos no presente; não vale a pena perdermos energias com remorsos alusivos ao passado. O foco deve estar no presente. Que cheiros nos rodeiam? O que conseguimos ouvir em nosso redor? Observemos as vistas todas dos locais onde nos encontramos a cada momento, ...
Estes quinze passos que sugiro aqui são apenas alguns que me lembrei e que considero pertinentes. O que quero com este texto é fazer as pessoas pensarem bem no que fazem, e as razões que as levam a tomarem as suas decisões. Analisar estes pontos, creio, faz-nos pensar bastante acerca de termos bem definido o nosso propósito de vida.
Infelizmente, muita gente hoje em dia considera-se confortável na posição de ver a sua vida a passar. Pouca gente toma verdadeiramente as rédeas das suas vidas. Vai-se andando e vai-se vendo... A grande diferença entre pessoas de sucesso e pessoas "medíocres" é que as segundas "deixam acontecer", enquanto que as primeiras "fazem acontecer"! Existir não é de todo um bom processo para aproveitar o nosso tempo na Terra. Assumamos as rédeas da nossa vida.
Creio que se aprendermos a apreciar tanto a vida como estes pequenos processos sugerem, aí sim, iremos viver de facto, em vez de apenas existirmos. Ainda não é tarde para ninguém. Amanhã, sim, será tarde. Hoje ainda não. Juntem-se ao grupo dos que, após a obrigação de existirem, escolheram viver!
Serviço de Mensagens Curtas (SMS)

O Serviço de Mensagens Curtas (SMS - Short Message Service) foi algo que apareceu há relativamente pouco tempo e que veio proporcionar uma facilidade imensa na comunicação diária interpessoal. Hoje em dia, todos os telefones móveis (e alguns fixos até) possuem este serviço, sendo algo que a vasta maioria de nós utiliza diariamente. Estatísticas da União Internacional das Telecomunicações revelam que durante o ano de 2009 foram enviadas, em média, cerca de 200 Mil mensagens por segundo! Ou seja, cerca de 6,1 Triliões de mensagens durante todo o ano de 2009, em todo o mundo. Isto representa um aumento de cerca de 340% da quantidade de SMS enviadas em 2007 (1,8 Triliões) para a quantidade observada em 2009.
Face a um aumento tão significativo na quantidade de SMS enviadas anualmente à escala mundial, pode-se concluir que este é um serviço de mensagens com inúmeras vantagens. No entanto, há algumas consequências nesta facilidade de envio de mensagens curtas, e sobre as quais é dada pouca ênfase actualmente; ainda que algumas estejam mesmo, a pouco e pouco, a mudar toda a estrutura de comportamento social considerado primordial e essencial.
Como os telemóveis ainda são uma coisa recente, há os mais diversos factores que não nos são conhecidos. Por exemplo, a nossa geração é a primeira geração a ter acesso a telemóveis desde a adolescência (nalguns casos, mais cedo até), pelo que não se sabem ainda as consequências da utilização de telemóveis no período de toda uma vida. Estima-se que os resultados das radiações envolvidas não serão muito positivos, mas não há observações concretas de uma geração que tenha utilizado telemóveis durante toda a sua vida, pelo que somos uma espécie de "ratos de laboratório" no que diz respeito a efeitos secundários a longo prazo, resultantes da prolongada exposição à radiação proveniente dos telemóveis, e outros tipos de dispositivos semelhantes mais recentes. Isto, no que diz respeito a efeitos físicos resultantes do uso dos telemóveis, mas não é sobre isto que quero incidir aqui. Eu quero falar sobre os efeitos no nosso comportamento social que podem provir do uso excessivo que se tem hoje em dia das SMS.
Se observarmos com alguma atenção a utilização que é dada actualmente aos telemóveis, mais especificamente às SMS, podemos rapidamente identificar alguns grandes contras do seu uso sistémico.
O primeiro contra que me lembro de analisar é a despersonalização que as SMS trazem, quando usadas em excesso, e ainda possível alienação. As pessoas tendem, por vezes inconscientemente, a abdicar de encontros físicos, por ser possível estabelecerem uma conversação corrida e permanente por texto. Por vezes, chegam a estar presentes em sítios, mas como se estivessem em piloto-automático, pois apesar de se encontrarem fisicamente presentes, estão ausentes, distraídos, enviando SMS. Hoje em dia uma pessoa pode-se alienar ao ponto de ter uma localização física fixa num determinado local, mas estar a falar com uma pessoa num qualquer outro local do mundo, sem que isso seja visível para as pessoas que rodeiam o indivíduo em questão. Assim, apesar do grupo no qual a pessoa em análise está inserida considerar que a pessoa presente tem a sua atenção focada no tempo e local onde se encontra (o que seria o normal...), hoje em dia isto já não é necessariamente tão linear assim. Isto tem tido imenso impacto, por exemplo, nas relações familiares. É muito comum nos tempos que correm, essencialmente por falta de bons princípios de educação incutidos pelos pais, ver-se uma determinada família a conviver num local qualquer cuja especificação não é relevante para a percepção do exemplo, e os elementos mais jovens da família estarem completamente (perdoem-me a redundância do termo) colados ao telemóvel, completamente alienados do convívio familiar, e indevidamente focados em conversações, por vezes completamente banais, com qualquer colega ou amigo que se encontra noutro qualquer local. Até é muito provável que este amigo em questão também esteja fisicamente com a família no mesmo momento, e que também ele se esteja a alienar da mesma, para estabelecer esta comunicação via mensagens instantâneas. Isto é principalmente comum entre pares de jovens namorados. Também isto interfere actualmente a um nível demasiado elevado no aproveitamento académico dos indivíduos jovens. Vêm tão dependentes dos telemóveis e das suas capacidades de SMS que nem em estabelecimentos de ensino os largam. Ora, para além de isto estar a baixar todos os níveis de atenção e aproveitamento da larga maioria dos jovens, está-lhes ainda a dar uma errada sensação de estar. Em futuras relações de negócios, inclusive reuniões, é completamente inaceitável que permaneçam neste constante disparate, e dada a sua dependência geral dos telemóveis, ser-lhes-á complicadíssimo mudarem o respectivo hábito.
Os namoros da juventude do presente, salvo raríssimas excepções, também perderam todo o romantismo anteriormente associado ao conceito namorar. Isto deve-se a imensos factores que não considero de reflexão aqui, mas nos quais estão inseridas as comunicações por SMS. Chega-se ao cúmulo de haverem testemunhos de casais jovens que dizem, com um sorriso na cara, que o seu namoro começou por um pedido de namoro por SMS, devida aceitação por SMS também, e, da vez seguinte que se encontraram presencialmente, já se consideravam namorados, sem demais a acrescentar. Ora, sejamos realistas, isto é quase uma doença... Tal alienação da realidade e do prazer da comunicação pessoal é completamente surreal. Ou seria, à luz da sabedoria dos tempos remotos próximos. Agora começa a querer parecer-se normal. Mesmo a convivência de casais de namorados jovens começa cada vez mais a basear-se numa constante série de conversas completamente banais estabelecidas através de SMS. Já não se encontram para actividades culturais, uma ida ocasional ao jardim zoológico, uma ida a um museu, ou uma exposição de pintura, por exemplo. É tal a dimensão de contacto possibilitado pelo serviço de mensagens curtas/instantâneas que se saturam também mais rapidamente, o que contribui para o curtíssimo período de tempo que as relações "modernas" têm tendência a perdurar. Não há inovação na relação, não há iniciativa de surpresa, não há novidade. Há uma enorme tendência para as SMS fazerem estes casais caírem numa rotina demasiado igual, que os leva a facilmente se cansarem, e quererem seguir para outra. Claro que estou a analisar a geração que se encontra neste momento na adolescência, e de um modo geral. Existem sempre várias excepções à regra. Ainda os casais que perduram esta fase de namoro, quando vão viver juntos, muitas vezes, dão conta que afinal não conheciam tão bem assim o parceiro, porque em vez de conviverem interessante e pessoalmente, talvez a título geral, pelo menos 50% do seu "tempo de convívio" foi estabelecido via contacto SMS.
Bom, todas estas desvantagens sociais e de convivência... Mas então, e quem não se interessa por estes factores, porque há-de pensar sequer em ser comedido no uso de SMS? Bom, culturalmente, as SMS são uma imensa desgraça para a juventude. Não necessariamente as SMS, claro, mas o uso excessivo que lhes foi aplicado. Toda a gente já teve a oportunidade de ler aberrações como "ieu axu ke ext blog e cãopléta-mente fishe!"... O tão recorrente uso das SMS levou a população jovem em fase de aprendizagem a implementar uma série de abreviaturas e vícios de escrita nas suas SMS. Ora, sendo isto feito nestas frágeis idades de aprendizagem, uma assustadora quantidade destes jovens tem vindo a revelar dificuldades de discernimento entre esta linguagem "bera" e a linguagem "erudita"/ a correcção linguística. Isto leva a que a quantidade de jovens que produzem textos com erros aberracionais nas escolas portuguesas, e até no âmbito externo das escolas, seja de facto assustadora!
Como último factor negativo das SMS, e porque não quero estender o texto mais ainda, gostava de mencionar a excessiva facilidade em desmarcar compromissos. Antigamente, uma pessoa que não tivesse vontade de ir a um determinado compromisso teria, pelo menos, de passar pelo embaraço de fazer um telefonema por voz ou algo assim, e enfrentar a outra parte do compromisso, explicando porque não poderia estar presente afinal no compromisso previamente acordado. Com as SMS, uma pessoa nem por esta situação tem de passar. Apenas envia uma mensagem a dizer algo como "lamento, mas não poderei estar presente hoje na reunião", e nem sequer passa qualquer constrangimento. Há uma imensa diminuição do sentido de responsabilidade pelo tal uso excessivo tão mencionado aqui.
Então, não devemos utilizar SMS? Claro que devemos. São extremamente úteis e eficazes, apenas acho que é um tema que tem vindo a revelar sérias mudanças na forma como principalmente os jovens encaram a vida e as suas responsabilidades, bem como possibilidades de socialização e interesse familiar. O uso das SMS deve ser comedido, e acho que deveria haver mais sensibilização quanto aos factores negativos que o uso demasiado sistémico das mesmas pode trazer.
PTS - Reflexão 2

No Workshop de Projecto Multidisciplinar 1 de hoje (semana 6), foi-nos proposto pegarmos aleatoriamente num Plano de Trabalhos de Semestre (PTS) de um colega e estudarmos criticamente o mesmo. Deveríamos fazer uma avaliação pessoal deste PTS e, no final, entregar esta avaliação ao colega a quem correspondia o PTS em questão, por forma que este pudesse ter um "feedback" quanto à qualidade essencial da primeira estrutura do seu PTS. Depois foi sugerido que tivéssemos em conta esta avaliação do colega e que fizéssemos uma avaliação crítica à nossa própria primeira versão estrutural do PTS, incidindo em tópicos essenciais propostos na aula, e que a partilhássemos no e-Portfolio.
Este trabalho parte do pressuposto de que a partilha e troca de opiniões são coisas boas, o que é verdade, uma vez que um trabalho em conjunto baseado em mais opiniões que não apenas a nossa , se costuma verificar muito mais produtivo. No entanto, houve alguns imprevistos quando o trabalho foi começado. Acontece que os PTS não estavam em formato ideal para impressão. Isto poderia necessariamente reflectir-se numa crítica negativa ao PTS se o mesmo fosse uma ferramenta fixa e imutável, que não pressupusesse uma constante actualização e rectificação. Mas isto não é verdade, pelo que não faz sentido assumir-se que o formato optimizado de utilização do PTS seja em papel. Desta forma, o melhor formato de consulta e manuseamento do PTS é no seu ambiente de criação, nomeadamente, no Excel. Aqui devem-se continuar a ter em conta alguns factores de apresentação, claro, como a facilidade de consulta das tabelas mensais, um bom grafismo, e outros factores de que falarei adiante, mas não tem necessariamente de ser compatível com impressão em papel. Podem-se, por exemplo, numa "folha", colocar diferentes tabelas espalhadas livremente, até com algum grande espaçamento entre si, desde que não haja necessidade em altura alguma de as ter juntas para consulta em simultâneo, e desde que colocados atalhos ("links") que facilitem o direccionamento rápido para as mesmas. Podem-se também criar tabelas relativamente grandes (desde que não grandes demais), uma vez que se pode jogar com o zoom, e pode-se assim conjugar uma boa visualização do PTS. Uma vez que o PTS nos é sugerido como uma ferramenta que nos visa ajudar a organizar o estudo e promover um melhor desempenho académico (e posteriormente profissional), cada um deve utilizá-lo no formato que achar mais conveniente e mais eficiente, que eu, pessoalmente, considero ser o formato digital. No formato digital podem-se colocar todos estes tipos de atalhos sugeridos, separar os meses em folhas diferentes, colocar uma ordem cronológica de todos os eventos futuros também numa folha à parte, criar legendas separadas das planificações mensais, por forma a não ficar tão confuso, por excesso de informação, etc.
Uma boa maneira de resolver este conflito seria, nas aulas em que se achasse pertinente, haver uma troca de opiniões e avaliações conjuntas de Planos de Trabalhos de Semestre, sugerir que quem tivesse este trabalho em formato digital, e considerasse que a sua essência seria perdida na impressão, levasse o devido trabalho no seu computador portátil para as aulas em questão, permitindo assim avaliá-lo no formato considerado óptimo, caso o aluno assim o ache.
Isto dito, tenho a relatar que o colega que analisou o meu PTS fez a análise baseada apenas nas reflexões Inicial e Mensais, que foi o que saiu impresso, por se encontrar na 1ª folha do documento. Na 2ª e seguintes folhas é que se encontrava toda a estrutura semanal e mensal. Assim, por analogia, não tem validade a avaliação do colega, que julgou todo o meu PTS ser apenas aquelas reflexões, dizendo, essencial e resumidamente:
"O PTS do João Pedro contempla as actividades a fazer de uma forma explicativa e bastante organizada, mas é um plano demasiado textual, e de mais difícil ajuste em caso de imprevistos que possam acontecer. Na apresentação, o facto de ser um plano unicamente textual torna-o bastante legível, mas no que toca à impressão houve de facto problemas, pois as frases estão cortadas e acabam somente na folha seguinte, o que dificulta a sua consulta."Creio que não são necessários adicionais comentários a esta avaliação do colega, que é uma boa avaliação, claro, face aos dados que lhe foram apresentados, no entanto pouco realista face ao total conjunto de elementos do meu PTS, que não lhe foi disponibilizado. A secção que o colega avaliou como sendo o meu PTS deve representar aproximadamente (estimativa pessoal) apenas cerca de 15% do total do PTS. Assim sendo, irei somente apresentar a minha apreciação crítica quanto ao meu Plano de Trabalhos de Semestre, desprezando possíveis apreciações mais detalhadas aos comentários fornecidos pelo colega.
O meu PTS contempla todas as actividades lectivas que nos foram dadas a conhecer até à data. Contempla ainda algumas actividades extra-curriculares, não contemplando todas as que tenciono vir a realizar ao longo do semestre, uma vez que ainda estou em fase de pesquisa de possíveis actividades mais que tenderei a realizar. Tive ainda em conta os momentos de avaliação, mas principalmente o 1º momento de avaliação, uma vez que futuras organizações de tempo de estudo terão como base o desempenho nesta primeira fase. Assim, não me quis adiantar e inventar uma planificação de estudo pressuposta. Preferi esperar e ser mais concreto após os resultados da primeira fase de avaliação do 1º semestre. A estrutura actual do PTS permite ajustes em caso de imprevistos, e de uma maneira bastante fácil. Basta seleccionar a tabela pretendida, alterar as células respectivas, carregar no "link" que me leva à análise desse mês e escrever lá a alteração realizada, para futuras apreciações e análises. Creio que a distribuição do tempo é adequada para esta primeira fase. Talvez devesse, no entanto, ter contemplado já alguma planificação do tempo prevista para meses posteriores. Não o fiz pelos motivos já enunciados, mas talvez não tivesse sido má ideia preencher apenas alguns momentos cruciais, sendo que depois os poderia alterar.
As prioridades encontram-se estabelecidas. Atribuí a todos os momentos de avaliação, como entregas de trabalhos, realização de testes "on-line" e testes presenciais, uma cor que sobressai das outras (laranja forte), por forma a conseguir facilmente identificar períodos mais intensos e de maior prioridade às actividades lectivas.
Quanto à apresentação o PTS é relativamente legível. Talvez uma ligeira alteração na secção de reflexões e análises por o texto se encontrar demasiado estendido na horizontal, mas de resto, pessoalmente, e correndo o risco de ter uma opinião viciada por ter criado eu o PTS em análise, creio que está bem apresentado e num suporte de fácil leitura.
Já respectivamente à sua manuseabilidade, creio que é facilmente manuseável, desde que, claro, seja utilizado no ambiente que considero o ambiente óptimo referente à sua utilização, o Excel. Não permite ser impresso de uma forma eficaz, mas não creio que isso seja uma prioridade, visto que se alterasse a sua forma, não me ia ser de tão fácil utilização (como já explicado anteriormente). Se fosse alterar o PTS visando melhorar a respectiva leitura quando impresso, perderia toda a sua utilidade, pois em prol desta melhoria gráfica em ambiente "papel", perderia a minha actual facilidade em gerir esta ferramenta cujo âmbito é a minha organização do tempo e trabalhos.
PTS - Reflexão 1

Nas primeiras aulas da disciplina em que foi abordado o Plano de Trabalhos de Semestre, muitos alunos (inclusive eu) reagiram um tanto descontraída e despreocupadamente. Afinal, não é mais do que construir um horário, coisa a que estamos habituados desde o primeiro ciclo de escolaridade. Ou será? Ora, à medida que o conteúdo a ser integrado no Plano de Trabalhos de Semestre foi sendo divulgado, comecei a pensar que este horário seria algo mais complexo. Não seria um horário para saber quantas horas estaria na escola sem poder jogar Playstation (à semelhança do 4º ano), mas sim, um horário onde viria especificar tudo o que faço de forma a ter um panorama geral de todos os momentos de testes e entregas de trabalhos, de forma a conseguir organizar o tempo de maneira mais eficiente e atingir assim resultados mais eficazes. Quando tomei consciência disto, deitei mãos à obra e comecei a escrever todas as datas relevantes, anotar semanas mais intensas, etc; e passei tudo para o PTS (Plano de Trabalhos de Semestre). Comecei logo a registar diferentes actividades e ocorrências que precisavam de ser alteradas, por serem incompatíveis com um bom rendimento, pontos que não teria identificado se não tivesse a ajuda cronológica e gráfica do PTS.
Quanto aos meus objectivos, durante este primeiro semestre, gostava de atingir uma média acima de quinze valores. Sei que será algo difícil de alcançar, mas, por isso mesmo, o PTS servirá a sua função desejada. Identifiquei as disciplinas que me poderão apresentar maiores desafios (nomeadamente a Matemática e a Microeconomia) e priorizei-as para as minhas horas de estudo nas quais sei que tenho maior rendimento, bem como as dotei de uma carga horária de estudo superior a outras (excepto em semanas em que outras possam apresentar maior carga de trabalhos e/ou avaliações sob forma de testes, por exemplo). Deste modo, creio que será possível aproximar-me dos objectivos estipulados.
Obviamente que surgirão (e já surgiram) dificuldades e imprevistos na realização de um PTS, tais como trabalhos extra que serão divulgados com menor antecedência; doenças que poderão resultar em faltas a aulas e respectivo esforço para acompanhar quanto antes a matéria perdida; algum resultado em avaliações abaixo das expectativas, que leve a uma necessidade de reestruturação das horas de estudo; disponibilidade de colegas na organização de trabalhos de grupo; ... Aqui terão de entrar ajustes ao PTS, que deverão ser contínuos, bem como efectuados quanto antes. Por exemplo, com o pouco tempo livre que tenho em semanas de avaliações, tenho de suspender certas actividades. No caso da semana anterior (semana 5), tinha planeado retomar os treinos de basquetebol, numa nova equipa. No entanto, vim a reparar, quando a ajustar as horas de estudo da semana (sendo uma semana de avaliações), que não seria a melhor altura para fazer tal coisa, pelo que adiei este regresso para a semana seguinte. Também para este fim-de-semana que passou tinha planeado ir à caça durante o fim-de-semana todo, com o meu tio, mas uma vez que, dadas as disponibilidades dos restantes elementos do grupo de S.I.T. (cujo trabalho tínhamos de entregar até 2ª Feira), não permitiram avançar, até 6ª Feira, significativamente no trabalho, tive de abdicar da caça, para levar a cabo o trabalho. Haverão também testes cujo dia e hora exactos ainda não foram divulgados, pelo que apenas poderei assinalar nessa semana que terei um dado teste, ajustando posteriormente o dia e hora, quando apresentados dados mais concretos. Estas são apenas algumas tácticas que consigo prever, a título de exemplo, como demonstração da minha estratégia de gestão de imprevistos e dificuldades a efectuar de forma contínua e maximizadora do rendimento académico.
À posteriori irão sendo feitas análises, idealmente semanais, do funcionamento do PTS, e feitas ainda, também, alterações pertinentes, sendo ainda acompanhadas de reflexões regulares quanto à proximidade, ou não, dos resultados e desempenhos correntes com os meus objectivos.
O que é o Bem?

Entende-se genericamente por "Bem" todas as acções realizadas pelo Homem, que estão de acordo com os padrões morais estipulados pela sociedade. Padrões estes que consistem de conceitos como ajudar o próximo, preservar a natureza, dizer apenas a verdade, entre muitos outros.
O Bem tende a ser um tema cada vez mais reforçado à medida que a população aumenta em número e a sociedade se degrada. É nestas situações que se sente a necessidade de criar algo coeso, como as "normas de conduta em sociedade".
De uma forma menos formal e objectiva, mas bastante explicativa, pode-se entender o Bem como a oposição ao Mal. Assim, pode-se considerar o Bem como o oposto de agir de acordo com o que os nossos padrões morais e sociais consideram como condutas erradas (tais como a destruição da natureza, a humilhação do próximo, ...).
Pode-se ainda associar o Bem ao "preconceito". Isto acontece na medida em que o que se entende hoje por Bem vem já baseado em aglomerados pressupostos e acontecimentos de sociedades humanas passadas. É um tema que tem vindo a ser consolidado desde um passado distante, tomando cada vez maior importância e significado, principalmente, com o aparecimento de crenças religiosas onde (salvo algumas excepções) as normas de conduta de acordo com o conceito do Bem, se seguidas "assiduamente", poderão vir a garantir uma vida espiritual melhor após a morte física. Aqui já entra a noção de medo ou receio, uma vez que muitos dos fiéis das religiões, por vezes, agem de acordo com o Bem, não porque achem sempre a melhor abordagem e porque estejam convictos que não têm opção, mas por receio dessa tal "qualidade pós-vida física".
Resumindo, agir Bem, é agir de acordo com as normas e padrões morais da sociedade. Há ainda a definição de Bem, como oposto ao Mal. Entende-se também que a introdução de valores morais estipulados e correctamente divididos entre Bem e Mal é essencial para o bom funcionamento da uma sociedade. Finalmente, temos o factor religião, que é provavelmente o que maior força tem na "imposição" de valores morais de uma sociedade. Por medo, ou por opção; são apenas pontos de vista diferentes, e variáveis de pessoa para pessoa.
O que é a Verdade?

Para esta reflexão crítica proposta, vou assumir para análise a Verdade entendida por "Conhecimento Verdadeiro" ao invés de "verdade como opção voluntária à mentira".
A verdade são todas as teorias e conceitos que no tempo em que são expressos não conseguem ser refutados. Ou seja, o que é hoje verdade, pode amanhã ser refutado. Também se deve ter em conta o local onde tais teorias e conceitos são expostos: O que é, no local de exposição, verdade, pode estar a ser noutro qualquer lugar no mundo considerado como não sendo verdade, porque a verdade não é absoluta em nenhum lugar nem em ninguém. (poderá, na realidade, considerar-se uma verdade como absoluta, mas são em tão pequenas quantidades que considero desprezíveis na análise em questão. Esta forma iluminada de verdade pode ser encontrada essencialmente em áreas científicas, mas em pouquíssimas ocasiões se podem considerar absolutas e infinitamente verdadeiras.)
Resumindo estes dois factores que condicionam a verdade, pode-se dizer que nenhuma verdade deve ser assumida como absoluta ou eterna. Antes pelo contrário, a verdade é algo que pode ser bastante efémero; basta que alguém a questione em algum lugar e tempo, e apresente uma nova verdade que poderá ou não apresentar maior validade.
O terceiro factor que delimita a verdade é o conhecimento. Não há verdade sem conhecimento. Qualquer argumento, quer se queira entender como verdadeiro ou não, que seja apresentado sem conhecimento, não passa de uma suposição, ou uma opinião. Deve-se assumir que uma verdade tem um bom suporte de conhecimento na área em que incide.
Apesar do conhecimento, é possível ainda que grupos de indivíduos assumam entre si verdades diferentes relativamente a áreas de conhecimento comuns. Concluindo-se assim que a condicionante opinativa humana também pode subjectivar bastante o tema da verdade.
Há ainda que mencionar que não há grande entendimento entre pontos de vista filosóficos e académicos sobre o que é a Verdade. Entram muitas vezes em conflitos, pelo que há uma imensidão de teorias. Apenas quis partilhar o meu ponto de vista resumido do assunto.
Concluindo, quem concorda sinceramente com uma frase, está necessariamente a alegar que ela é verdadeira.
O 6º e mais Sentidos

É de conhecimento generalizado que o grupo dos Sentidos do corpo humano é constituído por 5 elementos: tacto, olfacto, visão, audição e paladar.
Chegamos até a ver muita gente, inclusive em publicações de revistas de elevado estatuto cultural, livros, e todas as outras formas de comunicação globalizadas, a mencionar um tal 6º Sentido como sendo um estado psíquico que alguns Humanos conseguiram supostamente atingir. Alguns chegam mesmo (curiosamente para uns, ridiculamente para outros) a ensinar a desenvolver esse 6º Sentido. É como uma 3ª visão e/ou afins capacidades psíquicas. Há muitas versões para este acrescentado sentido, dependendo essencialmente da cultura social e religiosa de onde provêm. Mas não é sobre isto que me quero aprofundar neste momento...
A semana passada vinha no autocarro, e dei por mim a aguentar-me em pé, sem grandes hesitações, e sem estar agarrado a qualquer parte do veículo em causa. Claro que não sou eu que tenho um qualquer género de 6º Sentido dentro de mim. Até porque já vi muito mais gente a conseguir o mesmo feito, inclusive em escalas muito mais impressionantes, como é o caso dos surfistas, por exemplo. Então comecei a pensar se o equilíbrio não seria um sentido que nós também possuímos. Porque não? Quer dizer, um Sentido é algo que se pode definir como a capacidade de "recolha de informação externa ao nosso corpo" através de um sensor específico para o sentido em questão, seguido de uma funcional análise da informação. Ou seja, no caso da visão, a título de exemplo, se só tivéssemos o sensor da visão (os olhos) mas, no entanto, não tivéssemos uma parte do nosso cérebro dedicada a processar toda a informação recolhida, não nos serviria de nada.
Quanto ao equilíbrio acontece precisamente o mesmo! Há um conjunto de sensores que os nossos corpos têm cuja função é pressentir a nossa oscilação da posição assumida normal vertical (uns líquidos localizados no ouvido interno); a informação recolhida é então analisada e os músculos ao longo de todo o corpo reagem instintivamente, de acordo com informações enviadas pelo nosso cérebro, de forma a nos aguentarmos de pé. Aliás, como em todos os sentidos, também este varia, na capacidade, de pessoa para pessoa. Há pessoas com menor paladar, menor olfacto, menor visão,... Paladar, ou visão ou olfacto mais desenvolvidos. Também há pessoas com maior e menor capacidade de equilíbrio. Ora, em discussão com um amigo, foi-me perguntado porque razão eu não assumia então, visto os cristais líquidos que controlam o nosso equilíbrio estarem localizados dentro do ouvido, que isto era uma variante da audição? E ainda, se não achava que o equilíbrio fosse apenas uma conjunção da visão e da audição. Bom, acontece que nem os surdos nem os cegos andam em constantes quedas. Eles, apesar de não possuírem visão nem audição, conseguem-se equilibrar, pelo que deve haver pelo menos alguma independência.
"Descobri o verdadeiro 6º Sentido!" - pensei eu. O que significava que o antes 6º Sentido, o tal das propriedades psíquicas, passaria agora a ser o 7º Sentido! Ou seria adiantado ainda mais, por sentidos mais realistas que se pudessem anteceder a este?
Comecei então a pensar quantos mais haveriam, e fiz alguma pesquisa, deparando-me com estudos muito interessantes. Não temos uma mão cheia de sentidos, mas sim duas! Pelo menos!... O que se passa então? Os 5 sentidos que nos são ensinados desde crianças estão errados? Não, de maneira alguma. Estão baseados numa enumeração pura e simplesmente incompleta. Ou seja, da maneira que eu vejo a questão, os 5 sentidos mais visíveis e perceptíveis numa primeira análise são estes. Mas temos muitos mais. Temos sentidos como o equilíbrio, que já mencionei anteriormente; a propriocepção, que é a percepção que temos de nós próprios num determinado conjunto espaço-tempo, e que os cegos, por exemplo, têm muito mais desenvolvida que a generalidade das outras pessoas; a própria fome, se virmos bem, é um sentido que temos, assim como a sede; até mesmo o facto de sabermos quando temos de urinar é, na minha perspectiva, e de acordo com a definição do que é um sentido, um sentido! Porque um sentido entende que pelo menos haja um sensor especificamente especializado para o efeito. Ora, temos um sensor especificamente atribuído para sabermos quando necessitamos de esvaziar a bexiga, localizado na mesma.
Há ainda um conjunto de qualidades assumidas como sentidos em alguns estudos, mas que fazem menos sentido, como, a título de melhor exemplo deste enquadramento, a "termocepção", ou seja, capacidade de sentir frio ou quente. Aqui alguns investigadores dizem que isto é considerado um sentido porque não implica necessariamente contacto físico para sensoriar estas temperaturas, mas a verdade é que o ar tem uma massa. Por muito pouco densa que seja, ela é considerada um meio físico, pelo que o contacto com o ar se dá através do tacto.
Também podemos concluir, numa análise mais profunda, que talvez mesmo a fome e a sede, por exemplo, se baseiam no tacto, na medida em que precisam do mesmo para sentir quando o nosso corpo necessita de consumos adicionais. Mas aí também teríamos automaticamente que desacreditar o paladar, uma vez que também depende do tacto, bem como a audição que depende do contacto físico com ondas sonoras, e reduziríamos os sentidos a apenas um ou dois..
Onde eu quero chegar então não é a uma lista que eu considere correcta com a enumeração de todos os sentidos que possuímos, e tudo o que poderá não ser um sentido independente como críamos ser. Quero apenas, através desta partilha de opiniões, fazer ver que a informação que nos é transmitida acerca dos 5 Sentidos poderá correr o risco de ser um elemento obsoleto. Vem já desde o Séc. VI antes de Cristo, a assumpção dos 5 sentidos do Homem. Estamos a falar de "teorias" com mais de 27 Séculos. Não estou a crer dizer que está de facto errada esta teoria dos 5 sentidos, quer dizer, o monge Budista que idealizou esta teoria foi um visionário que, há mais de 27 Séculos atrás conseguiu dar início a um estudo bastante interessante. E merece todo o crédito e reconhecimento, a sua teoria, que tem sido transmitida de gerações em gerações. A única coisa que acho essencial é que, face a novas tecnologias e novos adventos e conhecimentos, a nossa sociedade vá questionando estes estudos mais remotos no tempo, de modo a que não se caia num ciclo de inércia cognitiva. Não devemos assumir tudo como verdadeiro e absoluto. Devemos questionar, pensar se fará sentido acrescentar novos elementos a uma determinada informação, antes de a transmitirmos às futuras gerações.
Concluindo, não quero, de forma alguma, dizer que as minhas opiniões são opiniões repletas de cientificidade e que devem ser elementos significativos na actualização e melhoramento deste tema abordado. Apenas quero partilhar estas opiniões, de forma a proporcionar que outras pessoas sejam críticas, e que através de diversos pontos de vista e estudos diferentes, se consiga, nesta e noutras áreas mais importantes, não cair num torpor cognitivo acumulado de geração para geração.